
Fernando Caldas é um poeta que, entre outros atributos, se destaca pelo nível de informação que está inserida em seus versos. Para compreender a sua obra “requer, sem dúvida, não só o saber da obra de arte por dentro, como também o da sociedade fora dela.” (ADORNO, 2003: 68). A denúncia social está presente em todo o poema e a linguagem utilizada pelo poeta é “algo que estabelece uma inelutável referência ao universal e à sociedade” (ADORNO, 2003: 74). Segundo Theodor Adorno “as mais altas composições líricas são (...) aquelas nas quais o sujeito, sem qualquer resíduo da mera matéria, soa na linguagem, até que a própria linguagem ganha voz.” (2003: 74). Voz esta, que intenta mostrar que absurdos e os disparates sociais são de responsabilidade do Governo. Além disso, critica o conformismo em que a sociedade está mergulhada. Este atenta contra os fundamentos do pensar do indivíduo, e traz revolta para o eu-lírico. O poeta consegue passar a sua insatisfação por viver em uma sociedade assim, contudo “só entende aquilo que o poema diz quem escuta, em sua solidão, a voz da humanidade.” (ADORNO, 2003: 67).





