
Identificam-se no poema características típicas da pós–modernidade tendo em vista que há uma relação marcante entre o perfil da sociedade, o contexto de produção, e seu reflexo no comportamento dos indivíduos. As cidades com seus avanços tecnológicos e comerciais estão criando seres mecanizados que vivem em favor do mercado e do aproveitamento do tempo. De acordo com Almeida (1985), “a produção lírica depende do texto e do contexto de produção, sendo que o poema lírico moderno a liberdade amorosa subverte velhos temas e antigas ideologias”. (p.61.)
O cidadão,
A companhia,
Marcha-Peão,
Plano Valquíria,
Masturbação,
Taxidermia,
O sapatão,
A sapatilha.
Nesse sentido, as relações interpessoais passam a ser efêmeras, sendo o sexo visto de maneira animalizada e instintiva sem muitos vínculos afetivos. A banalização do sexo tão marcante na pós-modernidade também se faz presente quando o eu-lirico por meio de expressões consideradas pornográficas ou imorais faz referencia a uma possível prática do sexo vulgarizado e/ou descriminado pela sociedade. Como por exemplo, os termos Masturbação, Taxidermia, Sapatão e Sapatilha.
Percebe-se, também, que o poeta faz alusões a questões históricas e científicas que tornam o poema uma incógnita a ser desvendada pelo leitor. Este, se não estiver situado no contexto e familiarizado com os termos utilizados, pode não compreender a mensagem transmitida fazendo diversas inferências que caracterizam
A expressão lírica como uma espécie de tensão e luta contra qualquer intencionalidade lógica e gramatical, contra qualquer explicação da emoção e do sentimento(ALMEIDA, 1985 p.58.)
Nesse contexto, evidenciam-se referências feitas ao chamado “Plano Valquíria” que idealizava a morte de Hitler no auge da Segunda Guerra Mundial, bem como são estabelecidas ligações com a marcha militar e a marcha-peão, “o povo”. É feita uma crítica à hierarquia presente na sociedade, representada, no fragmento, pelos sistemas econômico, social e militar. Diante disso, faz-se um diálogo com o texto sobre a emancipação do Lirismo Moderno em que a autora aponta a influência da cidade na relação entre o sujeito e o mundo. Citando, entre outros, Baudelaire e suas teorias sobre a modernidade e produção poética. Motivo pelo qual o poeta busca reinventar a sociedade tendo como “arma” a própria linguagem. Esta transgride os limites tanto temáticos quanto estéticos ora impostos à produção lírica, favorecendo a liberdade de produção e criação do poeta.
Fernando Caldas é um exemplo de tal característica moderna/ pós- moderna, tendo em vista que em FUNKAOS, não há o romantismo esperado e tradicionalmente idealizado em poemas. O autor utiliza, por vezes, uma linguagem considerada de baixo calão e obscena que chama a atenção para o sentimento de pertença em relação à Bahia. Perfil que pode ser constatado na estrofe a seguir:
Bom é no Rio,
Que o negro é branco,
Obediente como Tenente,
E o poeta diz que a Bahia
É cu do mundo,
Ó ilusão,
Se existe cu é lá pro sul,
Que fica embaixo,
Que é nazista,
Pois Bahia é o coração
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