COM A PALAVRA A POESIA: a denúncia social na voz e nos versos de Fernando Caldas

O objetivo deste projeto é divulgar o trabalho do poeta grapiúna Fernando Caldas, cuja obra sugere uma crítica sobre o seu processo de criação. O nome do Blog foi inspirado na composição FUNKAOS, música que está no CD “Voz de Mim” (1996).

Para fins de conhecimento da obra, buscamos fazer uma análise da letra corpus deste blog. Esperamos que com isso os nossos leitores possam estreitar a relação entre o poeta e suas produções.

Anarquismo, destruição e renovação










Fora direito,
Fora estado,
Estou cansado,
Estou ilhado,
A minha flor,
A minha vida,
Minha riqueza interior.

Gradativamente, o eu-lírico do poeta mostra-se descrente e revoltado ante a inércia do Governo. As palavras de “ordem” são anárquicas, já que protesta contra o Poder vigente, exigindo a destituição. Pelo fato de o eu-lírico estar perdido, ilhado, ele busca refúgio e riqueza em seu interior.

Sub-estado,
À lei do Cão estou atado,
À provisão,
À previsão,
À prevenção,
À privatização
À estatização,
À televisão,
Supra-direito, Supra-estado.

No primeiro momento, o poeta afirma que tudo está sob a jurisdição do Estado (É de direito, é de estado). Logo em seguida, faz um ataque violento ao insinuar uma anarquia e por fim, faz uso do sufixo -sub, que indicia uma desqualificação, uma inferiorização do Estado, mostrando com isso o seu descontentamento em relação à forma como o país foi e está sendo conduzido.

A Tua voz
Tenho clamado,
Inunda a Terra
Com teu fulgor,
Transforma
Esse martírio em Amor.

Diante de tantas frustrações, o eu lírico assume uma postura extremamente pessimista. A solução para o país seria a erradicação de praticamente todos os seus habitantes. É a alusão à passagem bíblica que nos indicia essa visão radical do poeta. A utilização do pronome “Tua” remete-nos à idéia de Deus; e o uso do verbo inundar, ao dilúvio. Segundo a bíblia, o dilúvio foi a forma que Deus encontrou para destruir a Terra, uma vez que a maldade do homem havia atingido um alto grau de insatisfação divina. Somente a destruição total poderia provocar uma renovação, que na verdade é o grande apelo do poeta para a sociedade de hoje.

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